favelost

fausto fawcett + furio

FAVELOST é um Projeto musical / audiovisual / literário de Fausto Fawcett, Jarbas Agnelli e Jodele Larcher com participação de Carolina Meinerz.


FAVELOST is a musical / audiovisual / literary project of Fausto Fawcett, Jarbas Agnelli AND Jodele Larcher, featuring Carolina Meinerz.

favelost - O DISCO

GUINDASTES EVANGÉLICOS - LIVE

favelost live

fotos das apresentações no projeto canvas e no rio music market

RELEASE by alex antunes

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Há vozes cuja força se deixa acompanhar por quaisquer sonoridades, sem se abalar. Penso em Elza Soares. Também em Otto que, uma vez, disse que para ele a música eletrônica era como cueca, “se for confortável eu uso”. 

Há spoken word, a literatura falada que, frequentemente, se beneficia de acompanhamento musical, seja jazzy, funky, eletrônico, reggae... 

Há o cyberpunk, a literatura que teve forte impacto na música pré e pós-punk, reciclando influências das vanguardas já em meados dos anos 1970 se considerarmos J. G. Ballard como precursor do gênero (Chrome, Cabaret Voltaire, Throbbing Gristle, The Future – origem da Human League e do Clock DVA) e anos 1980 adentro, já em seu ápice (rock industrial).

E há Fausto Fawcett, que tem a ver com tudo isso. 

Foi naquela fabulosa brecha aberta no Brasil dos anos 80, que combinou o final da ditadura, uma liberação de energia criativa quase sem precedentes e uma espécie de sincronização inédita do país com o mundo. Produzido por um ex-Mutante transformado em produtor de ponta (Liminha), um dos hits mais espetaculares da década, “Katia Flávia”, a Godiva do Irajá, puxava o álbum de estreia de Fausto Fawcett e os Robôs Efêmeros.

Combinando crônica policial, provocação sexual e funk eletrônico tropical, a faixa onipresente (foi parar até na trilha do filme Lua de Fel, de Roman Polanski, que a ouviu numa passagem pelo país) realizava e radicalizava o vislumbre de uma wave local de Julio Barroso, de Aguilar & a Banda Performática.

O texto originalíssimo de Fausto, numa espécie de pêndulo entre o olhar para o subúrbio e para Copacabana e a ficção científica, rendeu ainda um segundo disco naquela década, Império dos Sentidos, com a atriz Silvia Pfeiffer na capa inaugurando uma galeria de musas (é o aspecto gainsbourguiano de Fausto).

No terceiro e derradeiro álbum (para além de colaborações com figuras como Fernanda Abreu e Rogério Skylab), chamado Básico Instinto, de 1993, a voltagem sexual subiu ainda mais. Esse rendeu um espetáculo sensacional, uma espécie de teatro de revista encenado dentro de uma caixa preta, com uma superbanda (Dado Villa-Lobos da Legião, Dé do Barão, Barone dos Paralamas, Ary Dias da Cor do Som, e Laufer, dos Robôs Efêmeros) e textos de seus livros Santa Clara Poltergeist e o homônimo Básico Instinto.

Foi quando Fausto resolveu se dedicar só à carreira literária, com mais três livros (há mais um em preparação). E cinco peças de teatro, entre 1985 (as primeiras com Hamilton Vaz Pereira, vindo do Asdrúbal Trouxe o Trombone) e 2016.

E eis que duas figuras se inserem nessa história: o diretor e produtor Jodele Larcher, pioneiro do videoclipe no país, que atraiu Fausto para um novo projeto musical e multimídia, apresentando-o a Jarbas Agnelli, que também tem uma carreira notável, tanto no audiovisual quanto na música eletrônica. Eu diria dois profissionais que, ao mesmo tempo, mantêm a intuição pessoal e autoral afiadíssima.

No estúdio AD, de Jarbas (o mesmo nome do grupo que o projetou na cena techno nacional), as bases eletrônicas surgidas de um arsenal digital e analógico, e as imagens das programações visuais, convergiram com o verbo jorrante de Fausto, numa “gruta imaginária, um bunker cabalista improvisado”, na definição de Jodele. 

Foram nove as faixas resultantes – inclusive uma derivada de uma partitura do avô de Jarbas, Furio, que construiu o órgão da Catedral da Sé. Essa virou “Ó, Coração de Jesus”. Nas outras há referências à ficção científica, ao colapso dançante da sex machine de James Brown, à urbe claustrofóbica de mães psicóticas, cultos midiáticos, “babando de solidariedade, babando de sentimento familiar, babando de ódio, babando de amor, babando de indignação, babando de metafísica”.

Outras nove vinhetas de pouco mais de um minuto são narrativas curtas, nas vozes de Fausto e de Carolina Meinerz, musa e colaboradora que dirigiu a adaptação dele para a peça Salomé, de Oscar Wilde. Favelost é esse turbilhão de informação – me vem à mente o termo infodemia, a pandemia, a saturação de informação, que o trio navega e propõe que naveguemos com a sua magia caótica.

ALEX ANTUNES

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